ALPHARRÁBIO

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Blog novo no ar ... assim todo grito, todo sussurro.

ALPHARRÁBIO

por Viegas Fernandes da Costa

Literatura, cinema, artes e um pouco além.


http://viegasdacosta.blogspot.com/

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ITINERÁRIO

Viegas Fernandes da Costa


Conheci um Cristo
santo e crucificado
nas palavras dos evangelhos.
Perderam-mo
dentre as paredes daquele templo
em que rezei ateu.

Reencontrado, mais tarde
nas telas, com Scorsese,
ou nas páginas do Saramago,
humano e carnado,
este Cristo tão igual a mim
quase me convenceu.

A me provar do contrário
sempre houve esta cruz
e toda esta dor
estas carnes expostas
estes corpos exangues
e este arbítrio de morte


Janela sobre o espelho

Escorre o sol e leva os restos das sombras deixados pela noite.
As carroças puxadas por cavalos recolhem, de porta em porta, o lixo.
No ar, a aranha estende seus fios de baba.
Parafuso caminha pelas ruas de Melo. Na aldeia, é tido por louco. Ele leva um espelho na mão e se olha com expressão fechada. Não desgruda os olhos do espelho.

- O que você está fazendo, Parafuso ?
- Estou aqui - responde - Controlando o inimigo.

( Eduardo Galeano em As Palavras Andantes )

E eu, Dante Dores, tenho vontade de quebrar o espelho que carrego.

Quem destruirei, quem destruo todos os dias ...

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Tomo mais uma coca-cola me olhando feio e dou minhas vaias ao presidente !

Esperando Godot

terça-feira, 31 de julho de 2007

Esperando Godot (conhecida peça de Samuel Becket) teve estréia em 1953, em Paris. No Brasil, Cacilda Becker e Walmor Chagas protagonizaram a primeira montagem profissional, no final da década de 1960. A peça desdobra-se emdois atos. O cenário é uma encruzilhada campesina, um lugar indefinido.Vladimir e Estragon lá se encontram para esperar um tal de Godot. Os dois amigos são figuras tristes e deslocadas. Enfrentam a falta de sentido da existência com diálogos triviais e atividades inócuas. Godot parece ser a única esperança de sua existência. Não se sabe quem é ele ou por que a dupla o espera. Ao final do primeiro ato, um garoto entra em cena para avisar que Godot não viria naquele dia, talvez no dia seguinte. O segundo ato reproduz o primeiro, com pequenas variações. Ao final, outro garoto entra em cena para avisar que Godot não viria naquele dia, talvez no dia seguinte. Vladimir e Estragon pensam em se enforcar, mas desistem da idéia. No derradeiro diálogo, Vladimir pergunta ao amigo: "Então, devemos partir?", ao que Estragon responde, "sim, vamos". Mas eles não se mexem.

(texto extraído da Revista Carta Capital, edição de maio de 2007, autor:Thomaz Wood Jr.)

E... Noemi questiona ...

Depois de tanto tempo adormecida e embriagada... hibernando como um urso, acordei neste frio inquietante, tão longe de Blumenau, com milhares de questionamentos brutais, que me corroem e eu preciso falar... mesmo sabendo que irei penar pelo preço das palavras que escrevo: O que realmente espero, o que realmente vocês moradores deste mundo virtual esperam? Diante do Capital globalizado, do conhecimento fragmentado, do culto a intelectualidade bestial e sucateada... completamente antiga e ao mesmo tempo, com traços da nojenta e pegajosa pós modernidade... diante da contradição destas milhares de vidas ingênuas que vagam deliberadamente pelas ruas, festas, esquinas, mercados, bares, sites, casas, não consigo perceber nada além de falsos valores, falsos princípios que tangem estas vidas, que nada fazem... vivem e morrem da mesma maneira... esperando. Homens e mulheres expostos em vitrines elegantes... em um grande frenesi de trabalho, silêncio, compromissos, sexo, falta de sexo, falta de amor, falta de comida (por opção ou por necessidade)...paixões, compras, idéias, serestas, corpos bem vestidos, para enganar a si mesmo... a cidade anda... e esperamos que a cidade nos dê respostas... Começo a ter um grande incomodo diante de tantas pessoas que se justificam, justificam tudo... explicando quando irão comprar o carro novo, trocar o celular, reformar a casa. Justificam porque estão sentindo prazer.. metem quando não sentem. Criaturas que vivem irremediavelmente esta vida de desfrute do que o trabalho pode dar... mas nem sequer leram uma obra de Neruda na vida, nem sequer sujaram as mãos e os pés na terra, não tomaram banho de chuva e não sentem o vinho tinto descer delicadamente por suas gargantas. E não estou falando da classe média não, estou falando de nós... pobres, trabalhadores que acreditamos, um dia, ascender para a tão sonhada classe média... com toda a sorte de supérfluos e coisas e tais, que o pouco dinheiro poderá comprar... e comprar até a espera de uma vida que nunca virá. Aceitando a exploração, a subjugação e a grande imoralidade do trabalho pago em horas parcas. Parece confuso, e é... nunca foi minha função ser clara, explicar... e sim confundir e ironizar... provocar raiva e ódio, esta raiva dilacerante que consome, esta raiva que tenho da grande máquina colorida, das frases feitas, dos sonhos possíveis, das possibilidades embaladas em papéis de presente! O mundo em labaredas, fora das ruas sem respostas da cidade provinciana. O gigantesco mundo do capital fabril, do capital financeiro, do capital intelectual, dilacerando países inteiros, consumindo mentes e sonhos. As necessidades banais roubando as vidas que passam nos programas baratos de televisão. Nas grandes cidades da América Pobre e Latina, a agonia globalizada e penosa da luta para viver, da luta para poder morrer, assistimos as danças de balas das armas do aparato militar, do narcotráfico, do mercado virtual... como se nossa velha cidade quieta e silenciosa fosse apenas espectadora, invisível e indiferente ao mundo vivo e latente, ensangüentado e rasgado. Relegada a sorte das grandes coisinhas que entorpecessem, que anulam a vontade de transgredir, de atravessar a rua e fugir. E desse amargor que trago em minha boca, fiz minhas escolhas, como vocês seres moradores deste mundo virtual... vivo a margem... moro a margem... e não preciso me justificar... apesar de saber que preciso esperar... seja um amor, uma carta, alguém... uma revolução... um pensador... um beija-flor. Ou quem sabe, esperar que a morte, vestida de vermelho venha... mas sei que vivo para as "não coisas" que existem do lado de fora, contra todos aqueles que optaram por uma vida de esperas e vendas... de truques baratos e chantagens caras. Quantos de nós somos Vladimir ou Stragon? Quantos de nós estamos na estrada esperando uma resposta de Godot?

Conservar a personalidade em tempos de barbárie é dádiva e não defeito!Ventos de novas vidas começam a brotar, aquecidos trazendo tempestades!
E a nossa cidade não passará impune, talvez
viveremos !"!!""
Noemi Maria ... ainda espera ...

21º Festival Universitário de Blumenau

quarta-feira, 11 de julho de 2007

O espetáculo EM CADA SOLIDÃO da Companhia Cais de Teatro da USP, que realizou quatro apresentações no Festival Universitário de Blumenau nos dia 10/11, causou reações adversas no público que o assistiu. Alguns gostaram, outros não, alguns sentiram a solidão motora das angústias vivenciadas pelas personagens, característica desses tempos o qual a companhia define de HIPERMODERNO. “ A Hipermodernidade é um tempo paradoxal onde a contradição está inserida dentro do cerne da sociedade e dentro dos indivíduos. (DOSSIÊ EM CADA SOLIDÃO). Desta forma para retratar essa hipermodernidade, nas artes cênicas, é necessário que se tenha uma HIPERCENA “ (...) a Hipercena, como a modernidade não está concluída e nem poderia, pelo contrário, ela começa a esboçar suas intenções e orientação como o próprio Lipovetsky aponta mas, podemos deixar a pós-modernidade, podemos por fim a um movimento sem movimento apologético do fim para adentrar em um retorno, uma volta e uma busca por linguagem.” (DOSSIÊ EM CADA SOLIDÃO). Através dessa abordagem a companhia tentou trazer no espetáculo Em Cada Solidão, uma história que fosse contada de forma não linear, mais que trouxesse r a tona as sensações e angústias de quem sente a solidão dessa Hipermodernidade. No qual cada espectador tem uma interpretação a partir de sua trajetória de vida, das sensações vividas, dos sabores experimentados, das angústias sentidas.Nossa análise do espetáculo? Não conseguíramos condensar em simples palavras, mais ainda sentimos em nosso corpo, as sensações desencadeadas em cada solidão vivenciada pelos personagens, que não diferem da solidão que sentimos.

Sarau Literário !

sábado, 16 de junho de 2007

Nercinda Rocha começou a se preparar bem cedo, não queria perder nenhum detalhe, escolheu seu xale mais colorido, apesar da noite quente para esses dias de outono.

Semana dos Namorados, na Biblioteca Fritz Muller, encerramento com sarau literário.

O bosque iluminado, colorido em luzes, orquestra na Rua, coração inflado, flores, todos vestidos a
rigor.

Dançarinos, tango e salsa. Somos latinos, mais que americanos, nessa noite de música e palavra, Nercinda sente.

Tudo tão bem preparado, sentido, trabalho feito por gente que ama e que sente a literatura nessa cidade, Nercinda Rocha se emociona, fica feliz por poder estar ali.

Textos, vozes, música, bebidas e sabores, somos descendentes desse povo, que povo? Fazemos parte dessa dita cultura latino americana, mas somos também esses povos primeiros. Escrevemos, incorporamos essas línguas não latinas, desse jeito indígena. Desses povos primeiros...

A Caixa de som gigante estava lá. Como nas janelas dos pequenos vilarejos da Colômbia. Nercinda Rocha escutou quando Urda falava desse povo. Escutou e se emocionou quando Urda falou, porque ela é mais que uma contadora de histórias, ela carrega as histórias em barcos e praias iluminadas, de dentro de sua mochila, ela traz a história dos livros que viveu. Ela vive a literatura desse povo.

Dançamos, com os quadris e com o dorso também.

E Nercinda Rocha escutou, e também questionou o que é dito. E nas falas do professor, reconheceu sua gente, sua magoa, é Viegas, somos mais que aquilo que nos dizem. Temos outros nomes, outras palavras, outros gestos por aqui e eles não estão nos dicionários de latim.

Nessa mesa tão bonita, com frutas, (são frutas dessas nossas terras) nas corres da roupa da menina que tocava, (são cores nossas aqui misturadas, em pele e coração). E até nossa palavra, literária, salgada em mares caribenhos ou atlânticos, em versos guaranis e castelhanos, aqui se beija em várias nações, e não são só latinas. Nossa palavra não é só dita, nossa poesia é mais ampla... Que o que nos deu o nome... Latino Americano...

E Nercinda Rocha, se enrola em seu xale, bebe mais um gole de vinho e declama um verso do Neruda só pra ela.

Na Biblioteca Fritz Müller, ainda se respira ...

terça-feira, 12 de junho de 2007